Aprender / Etapa 2: sair das dívidas

Como sair das dívidas: passo a passo para organizar e negociar

Por Lázaro de Oliveira · 8 min de leitura

Resumo: primeiro, pare de aumentar a dívida. Depois liste tudo o que você deve com os juros de cada uma, pague primeiro as contas essenciais e as dívidas com juros mais altos, negocie o resto direto com o credor e só aceite uma parcela que cabe no seu orçamento.

Dívida não é só um problema de dinheiro. Ela tira o sono, gera briga em casa e faz a pessoa evitar abrir o aplicativo do banco. Por isso, o primeiro passo é parar de fugir dela e olhar os números de frente. Na maioria dos casos, a situação tem saída, mesmo quando parece que não.

Passo 1: pare de aumentar a dívida

Não adianta negociar uma dívida enquanto outra está crescendo. Enquanto você organiza o resto:

Passo 2: liste todas as dívidas

Pegue papel, bloco de notas ou planilha e anote cada dívida com estas informações:

Para quemQuanto devo hojeParcelaJuros ao mêsAtrasada?
Cartão (rotativo)R$ 3.200–altoSim
Empréstimo pessoalR$ 5.000R$ 420médioNão
Loja (crediário)R$ 900R$ 150médioSim

Os valores acima são só um exemplo. O valor atualizado e a taxa de juros aparecem no aplicativo do banco ou na fatura. Se não aparecer, pergunte ao credor: você tem direito de saber o Custo Efetivo Total (CET) da dívida.

Para conferir se o seu nome está negativado, você pode consultar de graça nos sites e aplicativos dos birôs de crédito, como Serasa, Boa Vista (SCPC) e Quod.

Passo 3: veja quanto sobra por mês

Antes de negociar qualquer coisa, você precisa saber quanto consegue pagar sem deixar faltar o básico. Faça um orçamento simples: tudo o que entra menos os gastos essenciais (moradia, contas, mercado, transporte, saúde). O que sobra é o valor que você tem para as dívidas.

Se não sobra nada, o foco dos próximos meses é cortar gastos e buscar renda extra, mesmo que temporária. Sem esse valor, qualquer acordo vira uma nova dívida atrasada.

Passo 4: decida o que pagar primeiro

A ordem que costuma fazer mais sentido:

  1. Contas essenciais: aluguel ou prestação da casa, água, luz e pensão alimentícia. Atrasar essas contas traz consequências mais graves do que um nome negativado.
  2. Dívidas com os juros mais altos: normalmente cartão de crédito rotativo e cheque especial. Cada mês que elas ficam abertas, crescem mais rápido que as outras.
  3. O restante: empréstimos, crediários e financiamentos, começando pelos juros mais altos.

Existe um outro jeito, que funciona para quem precisa de motivação: quitar primeiro a dívida de menor valor, para ter uma vitória rápida, e ir subindo. Matematicamente, pagar primeiro a de juros mais alto economiza mais. Escolha o método que você vai conseguir seguir até o fim.

Dois limites que valem para todo mundo

No cheque especial, os juros não podem passar de 8% ao mês, por regra do Conselho Monetário Nacional. No rotativo do cartão, desde 2024 os juros e encargos não podem ultrapassar o valor original da dívida. Mesmo com esses limites, as duas continuam entre as dívidas mais caras que existem.

Passo 5: negocie

Credor prefere receber com desconto a não receber. Por isso, quase sempre existe espaço para negociar, principalmente em dívidas atrasadas há mais tempo.

E trocar uma dívida cara por uma mais barata?

Às vezes faz sentido pegar um crédito com juros menores (como um consignado ou um empréstimo com garantia) para quitar o cartão ou o cheque especial. Só vale se duas coisas forem verdade: os juros do novo crédito são realmente menores, comparando pelo CET, e você parou de usar o cartão. Senão, em poucos meses você fica com as duas dívidas.

Passo 6: não volte para o mesmo lugar

Quem sai das dívidas e volta para a mesma rotina costuma voltar para as dívidas. Três hábitos ajudam a evitar isso:

Cuidado com golpes

Desconfie de quem promete "limpar o seu nome" mediante pagamento antecipado, ou de cobranças por mensagem com links e chaves Pix que não são do credor. Negocie sempre pelos canais oficiais da empresa ou pelas plataformas oficiais de negociação.

E depois?

Com as dívidas caras quitadas e o orçamento em dia, o próximo passo é montar a reserva de emergência e, depois dela, fazer o primeiro investimento.

Conteúdo educacional. Não é recomendação de investimento nem de contratação de crédito. As regras citadas valem para pessoa física e podem mudar.

Quer montar o plano para sair das dívidas comigo?

Na consultoria financeira a gente lista as dívidas, define a ordem de pagamento e prepara a negociação.

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