Aprender / Etapa 3: entender
Pré-fixado ou pós-fixado: qual a diferença e quando usar cada um
Resumo: no pré-fixado você sabe a taxa no dia em que investe. No pós-fixado a taxa acompanha um indicador, como a Selic ou o CDI. No híbrido (IPCA+) você ganha a inflação mais uma taxa fixa. Pra reserva de emergência, o pós-fixado com liquidez diária costuma ser o mais usado. Pra metas com data, o pré e o IPCA+ entram na conversa.
Quando você abre o aplicativo da corretora pela primeira vez, aparece um monte de nome: CDB pré, CDB 100% do CDI, Tesouro Prefixado, Tesouro Selic, Tesouro IPCA+. Parece muita coisa, mas quase tudo cai em uma de três formas de render. Entendendo essas três, você entende a maior parte da renda fixa.
O que vale aqui serve pra qualquer investimento que tenha essas opções: Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA e outros.
Pré-fixado: a taxa é combinada no dia
No pré-fixado, a taxa é definida no momento em que você investe. Se você aplica num título que paga 12% ao ano, vai receber 12% ao ano até o vencimento, aconteça o que acontecer com a economia. É como fechar um contrato com preço fixo.
- Vantagem: você sabe exatamente quanto vai ter no vencimento.
- Cuidado 1: se a inflação subir muito, aqueles 12% passam a valer menos, porque o seu dinheiro compra menos coisas.
- Cuidado 2: se precisar vender antes do vencimento, o valor pode ser maior ou menor do que o combinado. Isso se chama marcação a mercado: quando os juros do país sobem, títulos pré-fixados antigos perdem valor no mercado.
Resumo do pré: ótimo se você levar até o vencimento, arriscado se você puder precisar do dinheiro antes.
Pós-fixado: a taxa acompanha um indicador
No pós-fixado, o rendimento segue um indicador da economia. Os mais comuns são:
- Selic: a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Banco Central. Hoje ela está em 13,75% ao ano. O Tesouro Selic rende a Selic.
- CDI: a taxa que os bancos usam pra emprestar dinheiro entre si. Ela anda quase colada na Selic. Por isso CDBs costumam pagar "100% do CDI", "110% do CDI" e assim por diante.
Se a Selic sobe, o seu investimento passa a render mais. Se cai, rende menos. Você não sabe hoje quanto exatamente vai ter no fim, mas o valor quase não oscila no dia a dia.
Resumo do pós: previsível no dia a dia e fácil de sacar. É por isso que ele é o mais usado na reserva de emergência.
Híbrido (IPCA+): inflação mais uma taxa fixa
Existe ainda um terceiro tipo, que mistura os dois. O exemplo mais conhecido é o Tesouro IPCA+: ele paga a inflação do período (medida pelo IPCA) mais uma taxa fixa combinada no dia. Se a taxa for IPCA + 6%, você ganha 6% acima da inflação, seja ela qual for.
É a forma mais direta de proteger o poder de compra no longo prazo. Assim como o pré-fixado, ele também sofre marcação a mercado se você vender antes do vencimento.
Comparando os três
| Pré-fixado | Pós-fixado | IPCA+ | |
|---|---|---|---|
| Você sabe quanto vai ter? | Sim, no vencimento | Não, depende da Selic/CDI | Sabe o ganho acima da inflação |
| Protege da inflação? | Não | Em parte | Sim |
| Oscila se vender antes? | Sim | Muito pouco | Sim |
| Costuma servir pra | Metas com data | Reserva e curto prazo | Metas longas e aposentadoria |
Qual escolher?
Não existe "o melhor". Existe o que combina com o seu objetivo e com o prazo dele:
Reserva de emergência
Aqui o importante é poder sacar a qualquer momento sem perder dinheiro. Por isso, o mais comum é usar pós-fixados com liquidez diária, como o Tesouro Selic ou CDBs que pagam perto de 100% do CDI e deixam sacar quando você quiser.
Meta com data marcada
Trocar de carro daqui a 3 anos, a entrada de um apartamento, a festa de casamento. Como você sabe quando vai precisar do dinheiro, dá pra escolher um título que vença perto dessa data. Pré-fixados e IPCA+ entram na conversa, porque você leva até o vencimento e evita a oscilação.
Longo prazo e aposentadoria
Quanto mais longo o prazo, mais a inflação pesa. Por isso títulos atrelados ao IPCA costumam aparecer nas carteiras de longo prazo.
Às vezes a taxa do pré-fixado parece mais alta que a Selic do dia. Isso acontece porque o mercado está apostando que os juros vão subir. Se você acha que os juros vão cair, travar um pré pode ser interessante. Mas ninguém acerta isso sempre: pra quem está começando, o mais importante é casar o investimento com o prazo do objetivo, não tentar adivinhar a Selic.
Quanto o pós-fixado rende a mais que a poupança, já com o imposto?
Comparar agoraE o imposto?
Pré, pós e IPCA+ seguem a mesma tabela de Imposto de Renda, cobrado só sobre o rendimento: 22,5% até 6 meses, 20% até 1 ano, 17,5% até 2 anos e 15% depois disso. LCI e LCA são isentas para pessoa física, em troca normalmente pagam uma taxa um pouco menor.
Conteúdo educacional. Não é recomendação de investimento: avalie o seu perfil antes de investir. Taxas citadas são exemplos.